Visto de Estudante em xeque: Entenda a proposta que quer limitar o tempo de permanência de alunos e professores nos EUA
Faço Seu Visto · 7 de março de 2026
Visto de Estudante em xeque: Entenda a proposta que quer limitar o tempo de permanência de alunos e professores nos EUA
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou recentemente uma proposta de regulamentação que pode alterar drasticamente a vida de milhares de brasileiros que planejam estudar ou realizar pesquisas em solo americano. A medida visa encerrar a política de "Duração de Status" (Duration of Status), um pilar fundamental para quem viaja com os vistos F (estudantes acadêmicos), J (visitantes de intercâmbio) e I (representantes de mídia estrangeira).
Historicamente, esses vistos permitiam que o portador permanecesse nos EUA por tempo indeterminado, desde que continuasse cumprindo as regras do seu programa de estudos ou trabalho. Com a nova regra proposta pela administração atual, esse período passaria a ter uma data de validade fixa e pré-determinada.
O que muda na prática com o fim da Duração de Status?
Atualmente, se um brasileiro ingressa em uma universidade americana para uma graduação e decide emendar um mestrado ou doutorado, ele não precisa, necessariamente, solicitar uma nova autorização de permanência ao governo, contanto que a instituição de ensino atualize seus registros no sistema SEVIS. O status de permanência é "aberto".
A nova proposta estabelece um limite fixo de permanência, que geralmente seria de quatro anos. Após esse período, o estudante ou pesquisador precisaria solicitar formalmente uma extensão de estadia junto ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS).
Restrições ainda mais severas para certos perfis
A proposta não é uniforme para todos. Alguns grupos teriam um limite de permanência ainda menor, de apenas dois anos, caso se enquadrem em critérios específicos, como:
- Cidadãos de países com altas taxas de "overstay" (pessoas que permanecem nos EUA após o vencimento do visto).
- Países que constam na lista de Estados patrocinadores do terrorismo.
- Estudantes matriculados em instituições que não participam do programa E-Verify.
- Alunos em programas de ensino de idiomas (ESL).
O impacto para o estudante brasileiro
Para o Brasil, que é um dos países que mais envia estudantes para os Estados Unidos, o impacto é direto e burocrático. Embora o Brasil não costume figurar nas listas de restrições por terrorismo, a mudança na regra geral traz incertezas.
1. Aumento de custos e burocracia
O processo de extensão de visto não é gratuito. Caso a regra entre em vigor, o estudante que precisar de mais tempo para concluir seu curso — seja por uma mudança de grade, pesquisa estendida ou progressão acadêmica — terá que pagar novas taxas e enfrentar filas de processamento do USCIS, que costumam ser longas.
2. Insegurança jurídica
A "Duração de Status" oferecia uma camada de tranquilidade: "enquanto eu for um bom aluno e estiver matriculado, posso ficar". Com a data fixa, o aluno fica à mercê da aprovação de uma extensão. Se o USCIS negar o pedido ou demorar para processar, o estudante pode entrar em situação de ilegalidade involuntária.
3. Rigor com cursos de inglês
Muitos brasileiros utilizam o visto F-1 para cursar inglês nos EUA como porta de entrada para a vida acadêmica. A proposta mira especificamente nesses programas, sugerindo que o tempo de permanência seja mais curto e controlado, dificultando extensões sucessivas que, na visão do governo, podem ser usadas para "prolongar a estadia" sem um propósito acadêmico sólido.
Justificativa do Governo Americano
A administração Trump defende que a medida é necessária para fortalecer a segurança nacional e garantir a integridade do sistema de imigração. Segundo o DHS, a política atual de "Duração de Status" dificulta o monitoramento de quem realmente está cumprindo as exigências do visto, facilitando abusos e fraudes.
O argumento central é que, ao exigir que o imigrante se apresente periodicamente para renovar sua permanência, o governo tem mais oportunidades de checar antecedentes criminais, progresso acadêmico e conformidade com as leis americanas.
O que esperar agora?
É importante destacar que esta é uma proposta de regra. Nos Estados Unidos, esse tipo de mudança passa por um período de consulta pública, onde universidades, associações de classe e indivíduos podem enviar comentários e objeções.
As universidades americanas já começaram a manifestar preocupação, argumentando que a medida pode afastar talentos globais e prejudicar a competitividade dos EUA no setor de educação e tecnologia. Para os brasileiros, o cenário exige planejamento redobrado.
Dicas para quem está com processo em andamento:
- Mantenha sua documentação impecável: Agora, mais do que nunca, o histórico escolar e a comprovação financeira devem estar claros.
- Cuidado com as datas: Se a regra for aprovada, o controle do I-20 (documento de elegibilidade) será ainda mais rígido.
- Planejamento de longo prazo: Considere que sua estadia poderá não ser renovada automaticamente e tenha planos de contingência.
O cenário da imigração americana é dinâmico. Estar bem informado e contar com apoio especializado é a única forma de garantir que o sonho de estudar ou pesquisar nos Estados Unidos não seja interrompido por mudanças repentinas na legislação.
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