Proposta nos EUA Sugere Taxa de US$ 70 mil para Autorização de Trabalho OPT de Estudantes F-1: Entenda o Impacto para Brasileiros

Faço Seu Visto · 23 de outubro de 2026

Proposta nos EUA Sugere Taxa de US$ 70 mil para Autorização de Trabalho OPT de Estudantes F-1: Entenda o Impacto para Brasileiros

O cenário da imigração acadêmica e profissional para os Estados Unidos passa por uma importante movimentação em outubro de 2026. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) publicou no Registro Federal uma proposta de regulamentação que visa introduzir uma cobrança expressiva sobre o programa de Treinamento Prático Opcional (OPT, na sigla em inglês), utilizado por portadores de visto F-1 para trabalhar ou estagiar após a graduação.

A medida sugerida prevê a cobrança de uma taxa de US$ 70 mil no momento em que a instituição de ensino faz a primeira recomendação do estudante para o benefício, além de US$ 30 mil para extensões futuras. Embora a regra ainda esteja em fase de consulta pública e não tenha entrado em vigor, a notícia gera apreensão entre brasileiros que planejam cursar faculdade ou pós-graduação nos EUA com o objetivo de obter experiência no mercado norte-americano.

O que é o programa OPT e qual sua importância

O Optional Practical Training (OPT) é uma das principais ferramentas de transição entre a formação universitária e o mercado de trabalho profissional nos Estados Unidos. Por meio dele, estudantes internacionais com visto F-1 podem obter autorização temporária de trabalho diretamente conectada à sua área de formação.

Tradicionalmente, o programa permite até 12 meses de trabalho após a conclusão do curso. Para graduados em carreiras de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), existe a possibilidade de estender essa autorização por mais 24 meses. Para milhares de brasileiros, o OPT representa a oportunidade ideal para aplicar os conhecimentos adquiridos, construir networking internacional e criar pontes para vistos de trabalho de longo prazo, como o H-1B ou categorias de residência baseadas em emprego.

Entenda os valores e a estrutura da proposta

A proposta de regulamentação apresentada pelo governo norte-americano sugere uma mudança profunda na estrutura do programa. Atualmente, o custo para solicitar a autorização de trabalho (EAD) junto ao serviço de imigração fica em torno de US$ 470 a US$ 520, cobrados diretamente do solicitante.

Se a nova diretriz for aprovada no formato proposto, o custo passará a seguir os seguintes parâmetros:

Quem será responsável pelo pagamento da taxa

Um dos pontos de maior destaque no texto do DHS é a definição de quem deve recolher o valor. O projeto estabelece que a obrigação formal de pagamento recai sobre a instituição de ensino certificada pelo SEVP antes que o oficial universitário (DSO) registre a recomendação do OPT no sistema SEVIS.

No entanto, a própria proposta autoriza expressamente que as universidades repassem esse encargo aos estudantes ou aos empregadores dispostos a contratá-los. Especialistas do setor educacional avaliam que poucas instituições teriam orçamento próprio para absorver quantias tão altas, tornando muito provável que o custo seja transferido para os próprios estudantes internacionais ou para as empresas contratantes.

Justificativas governamentais e reações do setor

O DHS fundamenta a iniciativa sob o argumento de combater fraudes, reforçar a fiscalização do sistema imigratório e proteger os trabalhadores norte-americanos. Segundo o departamento, a intenção é evitar que o programa seja utilizado como um atalho de mão de obra de custo reduzido no mercado de trabalho.

Por outro lado, universidades, associações acadêmicas e advogados de imigração reagiram com forte preocupação. Entidades do setor argumentam que valores dessa ordem inviabilizariam a participação da imensa maioria dos estudantes estrangeiros, prejudicando a competitividade das universidades americanas e a retenção de talentos globais.

Impactos práticos para os estudantes brasileiros

Para os brasileiros que já estão matriculados em universidades americanas ou que planejam iniciar seus estudos nos EUA, a proposta traz impactos práticos importantes:

Situação atual e próximos passos

É fundamental ressaltar que a proposta do DHS não está em vigor e não produz efeitos imediatos. A medida cumpri o período de consulta pública no Registro Federal até novembro de 2026, etapa na qual a população, universidades e empresas enviam comentários e contestação de dados.

Somente após a análise de todos os comentários o governo decidirá se publicará uma regra final. Além disso, especialistas apontam que, caso a medida seja convertida em norma definitiva, enfrentará quase certamente desafios judiciais em tribunais federais, o que pode suspender ou alterar substancialmente sua aplicação.

Diante dessas incertezas regulatórias, brasileiros que buscam construir uma trajetória acadêmica e profissional nos Estados Unidos devem acompanhar de perto as atualizações e contar com suporte especializado para traçar estratégias imigratórias seguras.


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