Proposta nos EUA Quer Cobrar US$ 70 Mil por Permissão de Trabalho OPT de Estudantes F-1: Entenda o Impacto para Brasileiros
Faço Seu Visto · 6 de novembro de 2026
Proposta nos EUA Quer Cobrar US$ 70 Mil por Permissão de Trabalho OPT de Estudantes F-1: Entenda o Impacto para Brasileiros
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) apresentou uma proposta regulatória no Federal Register que visa alterar profundamente o acesso de estudantes estrangeiros ao mercado de trabalho norte-americano após a conclusão dos estudos. A medida sugere a criação de uma taxa de US$ 70 mil para a emissão da recomendação inicial do Optional Practical Training (OPT), benefício voltado aos portadores do visto de estudante F-1.
Além dessa cobrança inicial, o texto regulatório estabelece uma taxa adicional proposta de US$ 30 mil para pedidos de extensão subsequentes. A cobrança extra incidiria principalmente sobre a extensão STEM OPT, modalidade destinada aos diplomados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
Em novembro de 2026, a iniciativa movimenta o debate entre universidades, corporações e a comunidade internacional, gerando dúvidas sobre a viabilidade financeira de buscar uma formação acadêmica com foco em experiência profissional nos Estados Unidos.
Como funciona a cobrança e quem arcará com os custos
Pelo formato detalhado na proposta regulatória (Notice of Proposed Rulemaking - NPRM), a responsabilidade primária pelo pagamento do encargo financeiro caberá à instituição de ensino superior certificada pelo SEVP (Student and Exchange Visitor Program). O recolhimento do montante precisará ser efetuado antes que o oficial responsável pela universidade (Designated School Official - DSO) homologue a recomendação do estudante no sistema SEVIS.
Apesar de direcionar a obrigação formal à universidade, o texto da proposta faculta expressamente às instituições a possibilidade de repassar o custo financeiro aos próprios estudantes estrangeiros ou aos empregadores dispostos a patrociná-los.
Na prática, caso a medida seja aprovada no futuro, o mercado poderá observar diferentes dinâmicas:
- Repasse direto ao aluno: As universidades podem transferir a taxa para as anuidades ou exigir o pagamento prévio pelo estudante como pré-requisito para assinar o formulário de recomendação.
- Encargo para o empregador: Empresas interessadas em contratar recém-formados precisarão avaliar se compensa arcar com uma taxa expressiva para admitir o profissional via OPT.
- Restrição de aprovações: Instituições de ensino podem limitar as recomendações de estágio para evitar complicações administrativas ou custos não cobertos.
Justificativa do governo norte-americano
Segundo as autoridades de imigração dos EUA, o objetivo da proposta é conter abusos, reforçar a integridade dos programas de vistos e proteger os empregos de cidadãos americanos em início de carreira. O DHS alega que a permissão temporária de trabalho do OPT acabou se transformando em uma via de fornecimento de mão de obra de baixo custo para empresas locais, competindo com profissionais graduados no país.
Dessa forma, o governo argumenta que a imposição de um custo elevado atuaria como um filtro de mercado, exigindo que universidades e empresas comprovem que o talento estrangeiro justifica o investimento exigido.
O impacto prático para estudantes brasileiros nos EUA
Para os brasileiros que almejam realizar graduação, mestrado ou doutorado nos EUA, o programa OPT representa historicamente uma das rotas mais sólidas para consolidar uma carreira internacional. O período de trabalho pós-formatura possibilita acumular bagagem prática relevante e abre caminhos para a transição para vistos de trabalho temporários (como o H-1B) ou de residência permanente (como o EB-2 NIW).
A discussão traz desdobramentos diretos para o público brasileiro:
- Elevação expressiva do investimento financeiro: Um planejamento financeiro focado em estudos nos EUA precisará considerar o risco de novos custos caso o repasse da taxa de US$ 70 mil recaia sobre o aluno.
- Redução de vagas para recém-formados: Pequenas e médias empresas americanas podem hesitar em contratar diplomados estrangeiros se o processo exigir aportes elevados logo na fase inicial de trabalho.
- Necessidade de estratégias alternativas de visto: Torna-se ainda mais recomendável avaliar caminhos imigratórios paralelos antes ou logo após a conclusão do curso universitário.
A regra já está em vigor?
É fundamental esclarecer que a cobrança não está em vigor e não se aplica de forma imediata. O texto publicado é um aviso de proposta de regra regulatória, o que significa que se encontra em estágio de análise e consulta pública, com prazo para recebimento de comentários aberto até novembro de 2026.
As regras atuais do OPT continuam operando normalmente sob as normas vigentes. Para que qualquer mudança passe a valer, o DHS precisa processar os comentários públicos, elaborar a redação da norma final e definir um prazo para a entrada em vigor. Adicionalmente, analistas do setor de imigração destacam que a medida tem altas chances de ser contestada judicialmente por universidades e entidades de ensino assim que a versão definitiva for publicada.
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