Mudança na imigração da Austrália: Nova Diretriz Ministerial 119 prioriza vistos de quem já está no país e altera regras para profissionais qualificados
Faço Seu Visto · 11 de setembro de 2026
Mudança na imigração da Austrália: Nova Diretriz Ministerial 119 prioriza vistos de quem já está no país e altera regras para profissionais qualificados
O cenário da imigração para a Austrália acaba de passar por uma de suas reformulações mais importantes dos últimos anos. O Departamento de Assuntos Internos (Department of Home Affairs) do governo australiano implementou oficialmente a Diretriz Ministerial 119 (MD119), que entrou em vigor em 25 de julho de 2026.
Esta nova regra substitui integralmente a antiga Diretriz 105 e redefine por completo a ordem de prioridade com que o governo analisa e processa as solicitações de vistos de trabalho qualificado. A mudança afeta diretamente milhares de brasileiros que planejam construir uma carreira ou se estabelecer permanentemente na Austrália.
O que é a Diretriz Ministerial 119?
A Diretriz Ministerial 119 é uma instrução legal emitida pelo Ministério da Imigração que dita o fluxo de trabalho dos oficiais de imigração. Em termos simples, ela funciona como um manual de organização de fila, determinando quais processos de visto devem ser analisados primeiro e quais devem aguardar.
Um ponto crucial dessa mudança é que ela tem efeito retroativo. Isso significa que a MD119 se aplica não apenas aos novos vistos submetidos a partir de 25 de julho de 2026, mas também a todos os processos que já estavam aguardando análise no sistema do governo naquela data.
O novo sistema de prioridades: As 5 categorias de processamento
A nova diretriz estabelece um sistema de cinco níveis de prioridade, baseado principalmente em dois fatores determinantes: a profissão do candidato e a sua localização geográfica no momento da aplicação (se está dentro ou fora da Austrália).
A ordem de processamento oficial de cima para baixo é a seguinte:
- Prioridade 1: Candidatos aplicando de dentro da Austrália (onshore) em profissões voltadas à segurança pública, polícia e defesa.
- Prioridade 2: Candidatos aplicando de fora da Austrália (offshore) em profissões voltadas à segurança pública, polícia e defesa.
- Prioridade 3: Candidatos aplicando de dentro da Austrália (onshore) nas áreas de construção civil, saúde e educação.
- Prioridade 4: Candidatos aplicando de dentro da Austrália (onshore) em qualquer outra profissão qualificada.
- Prioridade 5: Candidatos aplicando de fora da Austrália (offshore) em qualquer outra profissão qualificada.
Com essa estrutura, fica evidente o forte incentivo do governo australiano para reter talentos que já estão no país, seja com vistos de estudante, vistos de trabalho temporário ou de turismo com permissão de transição.
O fim das vantagens regionais e de patrocinadores credenciados
Sob o antigo modelo da Diretriz 105, os processos de visto patrocinados por empresas localizadas em áreas regionais (fora das grandes metrópoles como Sydney, Melbourne e Brisbane) ou por empresas com status de "Sponsor Credenciado" (Accredited Sponsor) recebiam análise prioritária.
Com a entrada em vigor da MD119, essa vantagem deixou de existir. Agora, as aplicações vindas de áreas regionais ou de patrocinadores credenciados entram na fila geral, sendo ordenadas estritamente pela profissão e pela localização física do candidato.
Quais vistos são afetados por essa nova regra?
A Diretriz 119 abrange a grande maioria dos vistos de trabalho qualificado e de patrocínio empresarial. Entre os principais vistos impactados estão:
- Skills in Demand / Temporary Skill Shortage (subclasse 482): Pela primeira vez, este visto de patrocínio temporário foi incluído formalmente em uma diretriz de prioridade de processamento.
- Employer Nomination Scheme (subclasse 186): O visto de residência permanente via patrocínio de empregador.
- Skilled Independent (subclasse 189): Visto de pontos para imigração independente.
- Skilled Nominated (subclasse 190): Visto de pontos com nomeação estadual.
- Skilled Work Regional (subclasse 491): Visto provisório regional por pontos.
Impacto prático para os candidatos brasileiros
Para quem está no Brasil planejando a imigração, ou para quem já está em solo australiano, a estratégia de aplicação precisa ser recalculada com base nessas novas regras.
Se você já está na Austrália (Onshore)
Você se encontra em uma posição altamente vantajosa. Se você atua em setores como construção civil (engenheiros, gerentes de projeto, técnicos), saúde (enfermeiros, médicos, fisioterapeutas) ou educação (professores), seu processo será colocado em uma fila expressa de análise. Mesmo que sua profissão não faça parte dessas áreas prioritárias, o simples fato de aplicar estando na Austrália o coloca à frente de qualquer candidato que aplique do exterior.
Se você está aplicando do Brasil (Offshore)
A paciência e o planejamento estratégico serão seus maiores aliados. Se você não pertence às áreas de defesa, segurança ou setores prioritários como saúde e construção, seu processo cairá na Prioridade 5 (a última da fila). Isso significa que os tempos de espera para a concessão do visto podem ser consideravelmente maiores do que no passado.
Para mitigar esse impacto, os candidatos que aplicam do Brasil devem focar em submeter aplicações impecáveis e completas desde o primeiro momento — o que a imigração chama de processos "prontos para decisão" (decision-ready). Evitar que o oficial de imigração precise pausar seu processo para solicitar novos documentos ou esclarecimentos é fundamental para garantir a maior agilidade possível.
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