EUA Propõem Taxa de US$ 70 Mil para Estudantes Estrangeiros Trabalharem no País: Entenda o Impacto no OPT
Faço Seu Visto · 12 de outubro de 2026
EUA Propõem Taxa de US$ 70 Mil para Estudantes Estrangeiros Trabalharem no País: Entenda o Impacto no OPT
O cenário da imigração e do ensino internacional nos Estados Unidos passa por momentos de intensa transformação em 2026. O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) apresentou uma proposta regulatória que pretende alterar radicalmente os custos para estudantes estrangeiros que desejam adquirir experiência profissional no mercado americano por meio do programa de Treinamento Prático Opcional (OPT).
A medida causou forte repercussão entre universidades, estudantes brasileiros e empresas contratantes, uma vez que estabelece novos valores expressivos para a concessão de recomendações de trabalho.
Entenda em detalhes o que propõe a nova norma, quais os seus objetivos declarados, como ela afeta o estudante brasileiro e o que é possível fazer diante deste novo cenário imigratório.
O que propõe a nova medida para o programa OPT?
O Optional Practical Training (OPT) é um benefício vinculado ao visto de estudante F-1, permitindo que acadêmicos internacionais trabalhem legalmente nos Estados Unidos em áreas correlatas ao seu curso de graduação ou pós-graduação por até 12 meses (com possibilidade de extensão por mais 24 meses para formados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática — STEM).
Atualmente, o processo de solicitação do OPT envolve o pagamento de uma taxa administrativa de aproximadamente US$ 500 junto ao Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS). No entanto, a nova proposta apresentada pelo DHS altera completamente essa estrutura de custos:
- Taxa inicial de US$ 70.000: exigida para a primeira recomendação de participação no OPT (seja antes ou depois da conclusão do curso).
- Taxa complementar de US$ 30.000: aplicada a solicitações subsequentes, inclusive para a extensão de recém-formados em cursos STEM.
- Responsabilidade do pagamento: a norma determina que a taxa inicial deve ser paga pela instituição de ensino credenciada no sistema SEVP no momento da recomendação, embora o DHS autorize expressamente que as universidades repassem esse valor para os estudantes ou para as empresas empregadoras.
Se a medida for aprovada no formato atual, o custo total para um estudante de exatas utilizar todo o período de OPT e a extensão STEM poderá ultrapassar os US$ 100 mil.
Quais são as justificativas do governo norte-americano?
Segundo os comunicados oficiais do DHS, o objetivo da proposta é aumentar o controle regulatório e combater potenciais fraudes no uso de vistos de estudante para fins de trabalho permanente no país. O governo argumenta que o programa OPT expandiu-se além do seu propósito original.
Entre as principais justificativas apresentadas pelo departamento estão:
- Proteção dos trabalhadores locais: evitar que empregadores utilizem o programa como forma de contratar mão de obra estrangeira temporária a custos mais reduzidos.
- Combate a irregularidades: desestimular esquemas ilícitos e manter maior rigor sobre as empresas que acolhem estudantes internacionais.
- Exigência de qualificação: forçar uma comprovação mais criteriosa do valor do profissional estrangeiro antes da sua inserção no mercado profissional norte-americano.
A proposta está em fase de consulta pública e receberá comentários formais da sociedade até novembro de 2026 antes de qualquer regulamentação definitiva.
Como a medida afeta os estudantes brasileiros?
Para a comunidade de estudantes brasileiros nos EUA — e para quem planeja iniciar uma jornada acadêmica no país —, a proposta traz um nível significativo de incerteza e exige um planejamento financeiro ainda mais rigoroso.
As principais implicações práticas envolvem:
- Elevação expressiva do investimento financeiro: caso as universidades repassem as novas taxas aos alunos, o custo total de estudar e adquirir experiência nos EUA se tornará substancialmente maior.
- Resistência do mercado corporativo: empresas de pequeno e médio porte podem hesitar em assumir ou reembolsar taxas elevadas para contratados em início de carreira.
- Necessidade de estratégias alternativas: estudantes que dependiam do OPT para transicionar da universidade para o mercado de trabalho terão de considerar outros caminhos de visto desde o início da graduação.
Vale ressaltar que a medida trata-se de uma proposta regulatória e não entrou em vigor de imediato. Caso venha a ser publicada em versão final, especialistas jurídicos preveem que a regra enfrentará questionamentos nas cortes federais dos Estados Unidos.
Alternativas e planejamento imigratório para os EUA
Depender exclusivamente de uma única modalidade de trabalho ou permanência exige cautela diante das constantes mudanças nas políticas de imigração. Profissionais e estudantes qualificados devem avaliar rotas paralelas de visto, tais como:
- Vistos de trabalho temporário patrocinados (H-1B): voltados a profissionais com diploma superior contratados por empresas americanas para posições de especialidade.
- Vistos de habilidades extraordinárias (O-1): destinados a indivíduos com destaque comprovado em suas áreas de atuação, como ciências, educação, negócios ou artes.
- Residência permanente baseada em mérito (EB-2 NIW): direcionada a profissionais com formação avançada ou trajetória relevante cujas qualificações atendam ao interesse nacional dos EUA.
O planejamento preventivo com suporte especializado é o meio mais seguro para construir uma trajetória acadêmica e profissional nos Estados Unidos.
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